Poder Judiciário
TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL DA 6ª REGIÃO

Apelação Cível Nº 0001560-20.2012.4.01.3806/MG

RELATOR: Desembargador Federal MIGUEL ANGELO DE ALVARENGA LOPES

RELATÓRIO

Trata-se de recurso de apelação interposto pelo CONSELHO REGIONAL DA ORDEM DOS MÚSICOS DO BRASIL DE MINAS GERAIS contra sentença que julgou procedentes os embargos à execução opostos pelo MUNICÍPIO DE PATO DE MINAS, julgando, por consequência, extinta a execução fiscal n. 33972-56.2011.4.01.3800.

Inconformado, o apelante sustenta que “a r. decisão a quo violou diversos dispositivos legais tais como art. 1° da Lei 6.839/80, art. 4° e seu parágrafo único, e artigo 11 e 12 todos do Decreto Lei 200/67, via de consequência violou portaria 446/04 do MTE — Ministério do Trabalho e Emprego. Violou ainda, o princípio da tripartição de poderes haja vista que não observou a delegação de poderes exercida pelo Ministério do Trabalho à autarquia federal Ordem dos Músicos do Brasil, assim como o princípio da legalidade , artigo 5° e seus incisos da CR/88.”

Com contrarrazões, subiram os autos ao TRF da 1ª Região.

Redistribuição dos autos ao TRF da 6ª Região em razão de alteração de competência do órgão.

É o relatório.

VOTO

Após análise do feito, entendo que não assiste razão à parte apelante.

Conforme se infere dos autos, o Município de Patos de Minas foi autuado por infração aos arts. 54, 56 e 57 da Lei nº 3.857/60, que criou a Ordem dos Músicos do Brasil e regulamenta o exercício da profissão de músico.

Entretanto, da exegese da aludida norma, verifica-se que não há previsão legal que obrigue o contratante, no caso em tela, o município, a efetuar o registro do contrato, mas, sim, o contratado, isto é, o próprio músico ou o grupo musical é quem deverá proceder ao registro pertinente no órgão profissional.

Nesse sentido, trago à colação o seguinte precedente do TRF 1ª Região:

TRIBUTÁRIO. ADMINISTRATIVO. PROCESSUAL CIVIL. EXECUÇÃO FISCAL . EXTINÇÃO DE OFÍCIO. ORDEM DOS MUSICOS DO BRASIL. COBRANÇA DE MULTA POR INFRAÇÃO ADMINISTRATIVA. AUSÊNCIA DE EMISSÃO DE NOTA CONTRATUAL . MULTA. ILEGITIMIDADE PASSIVA DO CONTRATANTE. INEXIGIBILIDADE. (8) 1 . Nos termos do art. 5º, incisos IX e XIII da CF é livre a expressão artística, e o exercício profissional deve atender às qualificações estabelecidas por lei. Assim, o exercício profissional na área de Música torna obrigatório o registro na OMB, nos termos da Lei 3.857/60, quando o desempenho das atividades exige a graduação em ensino superior e capacitação técnica, o que ocorre nas funções de magistério, regência e atuação em orquestras . 2. O Supremo Tribunal Federal, ao apreciar o Recurso Extraordinário 795467/SP, pela sistemática da repercussão geral, reafirmou a tese no sentido de que "a atividade de músico é manifestação artística protegida pela garantia da liberdade de expressão, sendo, por isso, incompatível com a Constituição Federal de 1988 a exigência de inscrição na Ordem dos Músicos do Brasil, bem como de pagamento de anuidade, para o exercício de tal profissão". 3. A parte executada não se submete à fiscalização da OMB, e nem deve ser compelida a apresentar contrato firmado com músicos ou nota contratual, pois a obrigatoriedade de registro se reporta aos profissionais de música, nos termos da lei 3 .857/60, e não ao contratante. Então, não é parte legitima para figurar no polo passivo da execução fiscal. Inexigível o título executivo, o qual padece de vício e torna nula a CDA, extinguindo a execução fiscal. 4 . Apelação não provida.

(TRF-1 - AC: 00280413320154013800, Relator.: DESEMBARGADORA FEDERAL ÂNGELA CATÃO, Data de Julgamento: 20/08/2019, SÉTIMA TURMA, Data de Publicação: 30/08/2019) (destaquei)

Dessa maneira, não há previsão legal que obrigue o contratante dos músicos a submeter-se à fiscalização da OMB e responsabilizar-se pelo não cumprimento da obrigação, lançada no auto de infração, no caso, a emissão do registro de Contrato/Nota Contratual.

Assim, andou bem o juízo sentenciante ao salientar que “uma vez que o registro dos contratos é obrigação do músico ou de seu órgão de classe, por força do disposto no art. 69 da Lei n. 3.857/60, não é possível a responsabilização do município contratante pela inobservância de tal norma.”

Como a sentença recorrida foi prolatada sob a égide do CPC/1973 não é o caso de arbitramento de honorários recursais, nos termos do Enunciado Administrativo nº 2 do STJ.

Fundamentado em tais razões,  voto por negar provimento à apelação.



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Documento:60000086882
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TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL DA 6ª REGIÃO

Apelação Cível Nº 0001560-20.2012.4.01.3806/MG

RELATOR: Desembargador Federal MIGUEL ANGELO DE ALVARENGA LOPES

EMENTA

Ementa: DIREITO ADMINISTRATIVO APELAÇÃO CÍVEL. EXECUÇÃO FISCAL. ORDEM DOS MÚSICOS DO BRASIL. MULTA POR AUSÊNCIA DE REGISTRO DE CONTRATO DE MÚSICOS. INEXIGIBILIDADE. ILEGITIMIDADE PASSIVA DO CONTRATANTE. RECURSO NÃO PROVIDO.

I. CASO EM EXAME

1. Recurso de apelação interposto pela Ordem dos Músicos do Brasil contra sentença que julgou procedentes os embargos à execução fiscal opostos pelo Município de Patos de Minas, extinguindo a execução.

II. QUESTÃO EM DISCUSSÃO

2. A questão em discussão consiste em definir se o contratante de músicos, no caso o Município, tem a obrigação legal de apresentar contrato ou nota contratual perante a Ordem dos Músicos do Brasil, sob pena de sofrer penalidades administrativas.

III. RAZÕES DE DECIDIR

3. A Lei nº 3.857/60 não impõe ao contratante a obrigação de registrar contrato ou nota contratual junto à Ordem dos Músicos do Brasil, sendo essa obrigação direcionada aos próprios músicos ou grupos musicais.

4. A jurisprudência do TRF da 1ª Região reconhece a ilegitimidade passiva do contratante em execuções fiscais promovidas pela Ordem dos Músicos do Brasil para cobrança de multa pela ausência de nota contratual.

5. Inexistindo previsão legal que obrigue o contratante a registrar contrato de trabalho de músicos, inexiste fundamento para a imposição de multa ou sanção pela OMB.

IV. DISPOSITIVO E TESE

6. Recurso desprovido.

Tese de julgamento: O contratante não possui obrigação legal de registrar contrato de trabalho de músicos perante a Ordem dos Músicos do Brasil, sendo ilegítimo figurar no polo passivo de execução fiscal para cobrança de multa decorrente dessa exigência.

_____________________________________________________

Dispositivos relevantes citados: Lei nº 3.857/60, arts. 54, 56 e 57.

Jurisprudência relevante citada: TRF-1, AC nº 0028041-33.2015.4.01.3800, Rel. Des. Fed. Ângela Catão, 7ª Turma, j. 20.08.2019

ACÓRDÃO

Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, a Egrégia 3ª Turma do Tribunal Regional Federal da 6ª Região decidiu, por unanimidade, negar provimento à apelação, nos termos do voto do relator, nos termos do relatório, votos e notas de julgamento que ficam fazendo parte integrante do presente julgado.

Belo Horizonte, 09 de maio de 2025.



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Extrato de Ata
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Tribunal Regional Federal da 6ª Região

EXTRATO DE ATA DA SESSÃO VIRTUAL DE 05/05/2025 A 09/05/2025

Apelação Cível Nº 0001560-20.2012.4.01.3806/MG

RELATOR: Desembargador Federal MIGUEL ANGELO DE ALVARENGA LOPES

PRESIDENTE: Desembargador Federal MARCELO DOLZANY DA COSTA

PROCURADOR(A): ANA CAROLINA PREVITALLI NASCIMENTO

Certifico que este processo foi incluído na Pauta da Sessão Virtual, realizada no período de 05/05/2025, às 00:00, a 09/05/2025, às 16:00, na sequência 260, disponibilizada no DE de 14/04/2025.

Certifico que a 3ª Turma, ao apreciar os autos do processo em epígrafe, proferiu a seguinte decisão:

A 3ª TURMA DECIDIU, POR UNANIMIDADE, NEGAR PROVIMENTO À APELAÇÃO, NOS TERMOS DO VOTO DO RELATOR.

RELATOR DO ACÓRDÃO: Desembargador Federal MIGUEL ANGELO DE ALVARENGA LOPES

Votante: Desembargador Federal MIGUEL ANGELO DE ALVARENGA LOPES

Votante: Desembargador Federal MARCELO DOLZANY DA COSTA

Votante: Desembargador Federal ALVARO RICARDO DE SOUZA CRUZ

ÁCIMA LENINE SOUZA DE CASTRO ALMEIDA

Secretária



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